segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O apresentamento e a parte 1: Cantadas


    Olá! Resolvi fazer esse blog pelo simples fato de não caber todas as histórias que eu resolvo contar no twitter e por achar que ninguém tenha que ler detalhamente TUDO o que eu quero falar pelas redes sociais. E por que a minha amiga deu a idéia. (Vai ver Ela não aguenta mais ouvir detalhamente tudo o que eu quero contar).
    Mas enfim, na minha vida quase nunca acontece nada muito diferente do normal. Na minha vida nunca acontece nada diferente do normal. E nada mudou desde que eu era criança. Eu reservava 1/3 dos meus pensamentos diários para ficar viajando (naquela época era sobre desenhos e gibis) e isso podia ser considerado bonitinho para uma criança, mas talvez eu tenha exercitado demais esse parte do meu cérebro, tornando irreverssível a minha capacidade de me concentrar nas coisas sem imaginar alguma coisa absurda ou engraçada ao mesmo tempo.
    Resumindo tudo isso eu não sou anormal, foi um modo mais bonito de dizer que eu sou o tipo de pessoa abobada e que vive no mundo da lua. Mas sem mais blá-blá-blá aqui vai minha primeira peripécia, a mais recente: O lindo modo que me abordam amorosamente na rua.

    Quinta-feira passada fui ao dermatologista. Pessoas branquelas e de pele sensível como eu vão muito ao dermatologista. Mas não necessariamente cedo, só que eu sempre acabo marcando para de manhã BEM CEDO. E quando a consulta é rápida, como foi dessa vez, eu não tenho nada para fazer...e fico vagando pelo centro da cidade até a hora de eu ir trabalhar. Normalmente eu acho algo para me distrair, como comprar brinquedos inúteis para o meu gato chato ou olhar lojas com atendentes antipáticos. Mas desta vez não. Não tinha nada para eu fazer. NADA. Só tinha pessoas felizes passeando de bermudas e óculos de sol aproveitando as feriazinhas em Porto Alegre, enquanto eu vagava pelo sol.
    Mas então que eu me lembrei do livro da Agatha Christie que eu tinha bolsa. Não me entendam mal, eu estou numa onda meio 'cult' mas o único lugar para se ler, sentada, na sombra, confortavelmente e sem pagar era a casa de cultura Mário Quintana e foi para lá que eu fui. Chegando lá não tinha ninguém. Só as faxineiras e meia dúzia de gente por que afinal estamos em uma quinta-feira de Janeiro, e os únicos que estão na cidade são os pais dos filhos que passaram no vestibular, as pessoas que não tem dinheiro para viajar e as pessoas tristes que nem eu, quem tem que trabalhar!
     Me sentei num sofazão preto e calculei o tempo que eu podia ficar ali até a hora de ir embora e comecei a ler. Estava muito legal, o livro é de suspense policial e eu estava com os olhos arregalados prestando a atenção e com meu corpo mais a vontade possível desde a pose concurda a boca aberta. De vez em quando eu percebia uns indivíduos que se aproximavam, passavam, mas eu não dava bola. Até que um cidadão sentou do meu lado em umas cadeiras mais a frente. Olhei só a silhueta e vi que era um homem e tinha cabelo grisalho. Ok. Nada de mais. Não vou denunciar ao convento esse aproximação ou ligar para o 190 denunciando estupro.
      Uns minutinhos depois uma das faxineiras que estava lá na recepção deu um pulo por causa de uma barata fazendo as pessoas em volta sorrirem da cena. Foi aí que o ser iluminado se pronunciou: -" HEHEHE Ela fugiu da barata". Sorrir para mim é natural então eu sorri para ele e voltei ao livro. Mas a conversa não havia terminado: -"haha tu tá lendo um livro legal aqui na casa de cultura". Desta vez o sorriso foi amarelo e o que saiu da minha boca para aquele deboche foi um "é". E voltei de novo ao livro. -"Sabe que há muito tempo eu vinha aqui para ler também..." continuou a nobre criatura "...eu gostava de ficar olhando para as exposições e passear e blablabla" e enquanto que ele ia falando me veio à cabeça a idéia de que ele poderia apenas, querer conversar fiado, como meu pai faz. Meu pai, um já Senhor de 50 e muitos anos, puxa uns assustos nada a ver com as pessoas na rua. O que me faz pensar que eu vou ter problemas quando ele realmente ficar velinho. Mas esse raciocínio de segundos é interrompido pela falta de memória da cabeça de gente velha, como a desse homem (que eu deduzo ter uns 40) que se esquecera do nome do jardim que tem no 5° andar. "O jardim de Lutenzberger?" Perguntei. Foi aí que eu entendi a entonação do "HUUUMMM...ÉÉÉ? ESSSE MESMOOOO" e o olhar de pedófilo floreceu como o que tem o Michel Teló. Daí que eu concordei rapidamente e cravei a cara no livro pensando IH FODEU. Mas ele persistiu perguntando o meu nome. Eu respondi antipática dizendo "Michele" e ele falou o dele lá e achei que ele tivesse entendido quando disse "Ah haha, desculpe interromper a leitura..." POIS É NÉ? mas eu só concordei e tentei continuar lendo. Mas ele não saiu. Pelo contrário, DORMIU ali. Como o velho que ele é. Por queee? Por que comigo? Eu só queria ler um livrinho no centro, coisa que eu nunca fiz e me aparece isso. Olhei no relógio e eram quase onze horas e ao redor passavam jovens de vários tipos, daqueles que frequentam teatro e gostam de Beatles. Por que um daqueles, estilo músico não se sentavam do meu lado? Não, tinha que ser um bom homem querendo pegar uma guriazinha e depois publicar no facebook dos amigos da empresa: -Serjão atualizou um novo status: 'PEGANDO SÓ OS BROTO.' (Why God? Why?) e voltei para sala e o clima tenso ainda permanecia. Pelo menos eu. Ele parecia bem sossegado. Deveras. E quando eu ia me leventar já pensando na twittada que eu ia dar quando chegasse em casa como: "Tentativa Fail de leitura hoje" o indigente tenta uma última vez: "-Baah...se ficar aqui eu durmo. hehehe" *ignora "-Vai almoçar?" E eu já no último louca para mandar ele tomar no cú: "NÃO" "-Ah que pena é que eu ia te convidar para almoçar!" Eu: [vai tomar no cú, vai tomar no cú, vai tomar no cú, vai tomar no cú, vai tomar no cú, vai tomar no cú, vai tomar no cú] NÃO DÁ OBRIGADA" "Tá ok...então vou lá...tchau" "tchau!" e fiz uma careta feiosa e um gesto de nojo quando ele deu as costas que fez a mulher da recepção dar uma risadinha.
      AH MAS QUE NOJO! Existem tantos argumentos para a minha indignação que eu nem sei por onde começar! Eu estava sentada sozinha lendo um livro e não 'oi eu sou uma mulher e por estar sozinha essa minha leitura é um disfarçe para seduzir os homens para eles me cantarem e comprirem seu papel no mundo'. E ele era veeeeeeeeeeelho. E ele atrapalhou toda o que seria a minha "manhã legal". E eu fui trabalhar sem almoçar depois dessa. E cada vez que eu pego o livro eu me lembro da cara medonha dele. E isso é perto de um trauma. E...deixa para lá. Não vai ser só essa vez que eu vou me dar mal. Vou deixar o  resto para escrever na próxima.






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