quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A Maldi e o banheiro do primeiro emprego.

   Faz tempo que não me acontecesse nada vergonhoso ou constrangedor e isso é muito estranho.
   Pode ser uma pausa da minha maldição ou ela está se intensificando sorrateiramente para se manifestar de forma catastrófica em breve, mas eu prefiro acreditar que a maldição que caiu sobre mim quando os planetas se alinharam no dia em que eu nasci...está finalmente se desfazendo. "Bah que guria viajada, deve fumar até capim lá naqueles protestos que ela participa". É eu também pensaria isso de mim depois de 5min de conversa, mas não é superstição não, é fato! Eu teria trilhões de exemplos para comprovar como eu sou azarada, o mais clássico é que quando eu gosto de algo a coisa fica uma merda pouco tempo depois. "-Sabe o rei Midas que tudo que ele tocava virava ouro? Pois é, contigo é o contrário, hahaha" -Santos, Yasmin. Em segundo lugar, eu sou azarada em terceiras impressões. Hã? Quando eu conheço alguém ou começo a fazer parte de um ambiente novo a minha primeira impressão é sempre boa, isso eu não posso reclamar. As pessoas sempre me tiram para alguém séria, intelectual e bem sociável. (HAHAHA). Na segunda impressão, que é quando eu começo a ter diálogos o "bem sociável" já morre e a minha voz fina diminui a imagem do "séria". E é na terceira impressão que aparece a Maldi (maldição, apelidada carinhosamente). SEMPRE acontece algo que as pessoas se lembrem de mim como abobalhada e atrapalhada. Tá, eu sou, mas eu não preciso manifestar isso tão bem para que se torne a minha característica mais marcante. A situação que ilustra isso melhor é a segunda semana de trabalho do meu primeiro emprego:

   Primeiro emprego. A minha mentalidade era como do Bob Esponja indo para o Siri Cascudo. "Estooooouuuuu pronto!" ♫. Era tudo tão lindo, eu era auxiliar de escritório e cara, como era fácil. Todos eram legais e era tudo tão simples. (No começo, depois virou o inferno e eles servos do capeta). Mas de início era tudo sussa. Meu empreguinho era tão legal. E eu enchia o peito para dizer "Estou trabalhando". E eu fazia tudo tão direitinho, "estava indo muito bem" pensava eu. Até aquele fatídico dia. *Levanta da cadeira e caminha pela sala.
   Era uma terça-feira quente, eu me lembro até hoje. Estávamos bebendo muita água e as idas ao banheiro eram frequentes. Depois de pedir licença, sai rapinho para o arquivo da empresa onde ficava o banheiro dos funcionários. Lá dentro estava arquivando a Simone, minha colega do andar de baixo que provavelmente achou graça na minha cara de "apertada". Antes de entrar no banheiro, eu fiquei analisando a porta, ela era muito velha. A empresa era antiga e aquela porta devia estar ali desde que foi fundada. (Daora a atenção com os funcionários). "É antigo isso né?" Falou a Simone vendo que eu ia entrar. "Bah...parece que vai desmanchar" brinquei eu. (Eu sou tão engraçadinha -q). "Haha, pois é...só tem que cuidar que ela tranca". 0_0 Opa, peraí. Tranca? E era para rir? Com a minha sorte eu além de ficar trancada ia quebrar a descarga, o troço ia transbordar e eu ia ter que gritar por socorro para me tirarem de lá enquanto o prédio inundava. "Haha...sério?" "É mas é só dar uma empurradinha, mas não se preocupe isso nunca aconteceu". Até eu aparecer, pensei eu. "Bom, de qualquer forma eu vou deixar encostada" falei para ela. "Tudo bem, estou só eu aqui". Sorri para Simone e entrei. E foi quando eu estava para cumprir o objetivo que todos vão para o banheiro que eu ouvi a voz de uma segunda pessoa entrando no arquivo. Era o meu colega do mesmo andar, que é só um ano mais velho que eu. "Puta merda!" o banheiro era unissex e pensei que ele ia entrar ali a qualquer instante. Essa adrenalina durou segundos mas foi como se fossem anos. Mas antes de me levantar do...assento (?)... eu me lembrei que a Simone estava lá. Claro, ela com certeza ia avisar que eu estava ali, no fim não teve perigo ter deixado a porta encosta... e antes que eu pudesse terminar de pensar aconteceu isso:
Profissional no paint, ME INVEJEM!


   NOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO. Whyyyyyyyyyy God, whyyyyyyyyyyyyyyyy?? Por que isso tinha que acontecer??? Buááá, não é justo! Tudo estava bem. Agora eu ia ficar conhecida como a mijona ou sei lá o que. Eu quase chorei, sério. Saí do banheiro lançando um olhar de morte para a Simone que continuava ali, como se nada tivesse acontecido. Filha da puta! Vai ver estava entediada e quis se divertir às minha custas. Ugh. Não tinha acabado. Eu tinha que subir para o primeiro andar onde estava a minha mesa...e o meu colega. A escada parecia a subida do Everest e a cada degrau eu pensava em algo que eu poderia dizer para remendar a situação, AFINAL EU IA TER QUE VER ELE TODO DIA! Eu pensei em andar rápido até minha cadeira sem olhar para os lados mas minha chefe que ficava no mesmo setor que o nosso, me chamou no meio do percurso. Merda! Eu ia passar pela mesa dele. Então quando eu estava chegando perto e o meu colega se virou, eu já ia dizer algo como "haha...dá próxima eu não esqueço de fechar a porta" ele interrompeu e começou um assunto só para desconversar. Foi aí que eu percebi que ele devia estar com vergonha também. Entrei na dele e fingi que nada tinha acontecido. E no um ano que eu trabalhei lá nunca tocamos no assunto. Ele provavelmente deve ter contado para a nossa chefe por que eles eram bem amiguinhos (servos do capeta) mas pelo menos não fizeram brincadeiras sobre isso. Mas caralho né? Por que essas coisas acontecem comigo? Tudo bem eu que devia ter trancado a porta e tal, mas poxa, eu levei uns 6 min no banheiro, não tinha necessidade de eu aprender da pior maneira possível. Então levem essa lição para a vida: 1° Não existe ninguém que se dê tão mal como a Michele e 2° Tranquem as portas de banheiro sempre! Para que no futuro quando estivermos velhos e começarmos a reviver momentos da vida, uma pessoa aleatória tenha como lembrança a imagem de você sentado no vaso com as calças arriadas.








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